terça-feira, 18 de novembro de 2008

Velho Testemunho (work in progress)

Tem dias que a Vida passa longe
Passa ao largo
Sentado à minha poltrona,
Todo meio enfastiado,
Me reclino admirado
Com o passo em que ela vai.

Arrebitada a Vida arranca caminho
Pelo quarteirão prenha de si
Tamborilando a passos largos
Suas ancas disformes em sinuosos
Movimentos indiferentes ao curso
De meus brados pedindo-lhe que
Volte ou que ao menos a face
Me revolva num rústico ato
De exorcismo

- Ó, Vida, por que a mim não atende!?
Como pode assim passar inclemente
Perante os suplícios deste pobre trapo humano?

- Mas, como!Você não vê que te espero que me siga!?
Que me agarre ternamente e me trucide
Transformando-me a cada nova espremida!?
Só não posso é esperar-te o tempo que convém
Ou necessita, pois que meu curso não é parar
E sim propagar aonde mais eu for querida

E ao fim do dito segue longe, segue largo
Enquanto ecoa ainda parado seu estridente
Fiapo de voz.
Sentado à minha poltrona,
já de todo mortificado,

Vou tremendo dos pés aos lábios
Espiando o corpo que vai.

Porém (Ah, porém)
Eis que sinto germinar-se em mim
A emanação vertiginosa de uma chama
Em tortuosa combustão que em profusa
erupção desaloja dos pulmões
Meu testemunho que exasperadamente
se expele da garganta aos quatro horizontes:

- Ô-Ô-Ô, Vida, assegure-se bem: Vai-te à merda, pois,
Que impertinência tem limites!

Thiago Brito - 2008

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