Mamãe um dia ficou gripada
Muito afligi
Senti suas alvas mãos pálido
Fiquei com um nó na garganta
Resolvemos leva-la pro hospital
Pra lá ficar
E ficou
Família é um problema.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Velho Testemunho (work in progress)
Tem dias que a Vida passa longe
Passa ao largo
Sentado à minha poltrona,
Todo meio enfastiado,
Me reclino admirado
Com o passo em que ela vai.
Arrebitada a Vida arranca caminho
Pelo quarteirão prenha de si
Tamborilando a passos largos
Suas ancas disformes em sinuosos
Movimentos indiferentes ao curso
De meus brados pedindo-lhe que
Volte ou que ao menos a face
Me revolva num rústico ato
De exorcismo
- Ó, Vida, por que a mim não atende!?
Como pode assim passar inclemente
Perante os suplícios deste pobre trapo humano?
- Mas, como!Você não vê que te espero que me siga!?
Que me agarre ternamente e me trucide
Transformando-me a cada nova espremida!?
Só não posso é esperar-te o tempo que convém
Ou necessita, pois que meu curso não é parar
E sim propagar aonde mais eu for querida
E ao fim do dito segue longe, segue largo
Enquanto ecoa ainda parado seu estridente
Fiapo de voz.
Sentado à minha poltrona,
já de todo mortificado,
Vou tremendo dos pés aos lábios
Espiando o corpo que vai.
Porém (Ah, porém)
Eis que sinto germinar-se em mim
A emanação vertiginosa de uma chama
Em tortuosa combustão que em profusa
erupção desaloja dos pulmões
Meu testemunho que exasperadamente
se expele da garganta aos quatro horizontes:
- Ô-Ô-Ô, Vida, assegure-se bem: Vai-te à merda, pois,
Que impertinência tem limites!
Thiago Brito - 2008
Passa ao largo
Sentado à minha poltrona,
Todo meio enfastiado,
Me reclino admirado
Com o passo em que ela vai.
Arrebitada a Vida arranca caminho
Pelo quarteirão prenha de si
Tamborilando a passos largos
Suas ancas disformes em sinuosos
Movimentos indiferentes ao curso
De meus brados pedindo-lhe que
Volte ou que ao menos a face
Me revolva num rústico ato
De exorcismo
- Ó, Vida, por que a mim não atende!?
Como pode assim passar inclemente
Perante os suplícios deste pobre trapo humano?
- Mas, como!Você não vê que te espero que me siga!?
Que me agarre ternamente e me trucide
Transformando-me a cada nova espremida!?
Só não posso é esperar-te o tempo que convém
Ou necessita, pois que meu curso não é parar
E sim propagar aonde mais eu for querida
E ao fim do dito segue longe, segue largo
Enquanto ecoa ainda parado seu estridente
Fiapo de voz.
Sentado à minha poltrona,
já de todo mortificado,
Vou tremendo dos pés aos lábios
Espiando o corpo que vai.
Porém (Ah, porém)
Eis que sinto germinar-se em mim
A emanação vertiginosa de uma chama
Em tortuosa combustão que em profusa
erupção desaloja dos pulmões
Meu testemunho que exasperadamente
se expele da garganta aos quatro horizontes:
- Ô-Ô-Ô, Vida, assegure-se bem: Vai-te à merda, pois,
Que impertinência tem limites!
Thiago Brito - 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Ida ao cinema
Esbugalhando os olhos e sacolejando timidamente o corpo, um velho andava lentamente pelo cinema. Acho que está perdido, ao menos me parece que está perdido. O velho estaca, esforça os olhos, olha ao redor. Caminha um pouco para um lado, depois para outro. O funcionário que recolhe os bilhetes de entrada corre, deixa a porta do cinema. O velho caminha como se habitasse um sonho, uma expressão facial de tons longínquos, porém tortuoso. Está sozinho, ninguém às sua volta. Entra no cinema.
Estou sentado, eu observava. Acho que ele estava perdido, sinto que ele estava perdido. Talvez seja apenas uma impressão.
Eis que um grito eco da sala de cinema:
- "Porra!Cadê o mictório deste banheiro!?"
Vi "Vicky Cristina Barcelona". Não quero comentar nesse momento, pois só vejo negativas. Digamos que o título serve como sinopse. Além de, é claro, Gaudí, exotismo, e até mesmo "Spanish Caravan".
Estou sentado, eu observava. Acho que ele estava perdido, sinto que ele estava perdido. Talvez seja apenas uma impressão.
Eis que um grito eco da sala de cinema:
- "Porra!Cadê o mictório deste banheiro!?"
Vi "Vicky Cristina Barcelona". Não quero comentar nesse momento, pois só vejo negativas. Digamos que o título serve como sinopse. Além de, é claro, Gaudí, exotismo, e até mesmo "Spanish Caravan".
domingo, 16 de novembro de 2008
Moeda

"Um segundo aspecto da música, e da arte em geral - particularmente na forma complexa e altamente especializada que ela ssume em sociedades mais desenvolvidas - contribui para esta tendência a vê-la de forma isolada de seu contexto humano. Sua ressonância claramente não está limitada aos contemporâneos da sociedade em que vive o criador. Uma das características mais significativas dos produtos humanos que chamamos de "obras de arte" é o fato de serem relaviamente autônomos em relação a seu produtor ou à sociedade de seu produtor. Muitas vezes uma obra de arte só é percebida como obra-prima quando começa a tocar os sentimentos de pessoas de uma geração posterior à do produtor. Que qualidades de uma obra, e que aspectos estruturais da existência social e da sociedade de seu criador, fazem com que este seja tido como "grande" por gerações posteriores - algumas vezes a despeito da falta de ressonância entre seus contemporâneos?É uma questão em aberto, e que hoje em dia muitas vezes ainda se disfarça de mistério insolúvel.
No entanto, a autonomia relativa da obra de arte e o complexo de problemas a ela associados não nos eximem da obrigação de investigar a conexão entre a experiência e o destino do artista criador em sua sociedade, ou seja, entre esta sociedade e as obras produzidas pelo artista".
- Norbert Elias
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Phantom
Eu sempre te duvido. Eu olho, mas é safo, fugidio. Quando penso que é você, é a lufada na cortina, uma luz esquecida no banheiro do fundo, uma porta deixada entreaberta - e eu sinto, mas não sei; tenho certeza!Mas...e derradeiramente me pego pensando se aquela marca amagentada que ainda perdura no fundo de minha retina não é afinal a impertinente impressão da seda de sua roupa.Eu confesso que só sei que é você quando quatro cavalos à galope atropelam-me o corpo estirado ao chão apalpado por suas leves mãos asseguradas pela sua voz que me guia o olhar e me faz perguntar logo em seguida quando você desaparece e eu te persigo sem uma única dúvida mas sempre
Vou te exorcizar de mim
Sai Virgínia, entra Hawks!
post brega
Eu seria um homem mais feliz se todos os dias pudesse ter a oportunidade de ver - nem que seja - um fotograma de qualquer filme do Murnau.
Phantom - F.W.Murnau (1922)
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Primeira Postagem
Oi.
Meio vazio, escuro. Alo?Eco o o o o
Hum.
Estranho.
Assim caminha.
Quer dizer, acho.
Nunca se pode ter certeza.
Comecei bem, até com título emo. Quer dizer, Virginia, mas quem disse que ela foge disso?Mas gostei do livro. Muito tempo atrás, é claro. Acho que vou mudar o título antes de. Uma semana.
Se tudo andar nos conformes, começarei a postar coisas aqui. Se não, não.Veremos.Tudo é muito vago ainda.
Meio vazio, escuro. Alo?Eco o o o o
Hum.
Estranho.
Assim caminha.
Quer dizer, acho.
Nunca se pode ter certeza.
Comecei bem, até com título emo. Quer dizer, Virginia, mas quem disse que ela foge disso?Mas gostei do livro. Muito tempo atrás, é claro. Acho que vou mudar o título antes de. Uma semana.
Se tudo andar nos conformes, começarei a postar coisas aqui. Se não, não.Veremos.Tudo é muito vago ainda.
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